5S não é “faxina”. É gestão da condição básica.
Este e-book trata o 5S como um sistema de organização, segurança, gestão visual, disciplina e estabilização do trabalho — não como uma campanha estética.
A definição mais conhecida utiliza cinco termos japoneses: Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu e Shitsuke. Em português, as traduções variam: utilização/seleção, ordenação/organização, limpeza/inspeção, padronização e disciplina/sustentação. A tradução literal é menos importante que o propósito operacional de cada etapa.
Mapa do e-book
5S como Sistema de Gestão da Condição Básica
Quando materiais, ferramentas, documentos, rotas e padrões não possuem uma condição definida, o processo consome energia procurando, improvisando, corrigindo e contornando problemas.
5S reduz essa entropia operacional. Seu papel não é decorar o ambiente: é reduzir informação ausente, movimento desnecessário, excesso, sujeira, variabilidade e ambiguidade. Por isso ele se conecta diretamente a Lean, TPM, trabalho padronizado, gestão visual, segurança e Kaizen.
5S como linguagem do ambiente
Um local maduro “fala” com o usuário. O contorno mostra onde a ferramenta pertence; o nível mínimo/máximo mostra quando repor; a identificação revela o conteúdo; a anomalia de vazamento é percebida porque a superfície está limpa; a rota é clara; o padrão está disponível no ponto de uso.
Ambiente depende da memória
Pessoas experientes sabem onde encontrar, como ajustar e o que é normal; novos colaboradores dependem de ajuda.
Ambiente comunica
Localização, quantidade, condição e regra ficam visíveis no próprio sistema de trabalho.
Anomalia aparece cedo
Falta, excesso, troca, vazamento, contaminação, obstrução e desvio tornam-se detectáveis.
Raízes Históricas e Evolução do 5S
Assim como o Kaizen, o 5S não deve ser atribuído de forma simplista a um único “inventor”. Ele foi consolidado no contexto da gestão japonesa e das práticas de produção enxuta.
A ASQ descreve o 5S como uma abordagem originada no contexto do Toyota Production System para criar um local de trabalho organizado, seguro e adequado ao controle visual e aos conceitos Lean. O Lean Enterprise Institute também relaciona 5S a práticas de workplace organization que tornam o trabalho e as anormalidades visíveis.
Uma nuance histórica: 4S, 5S e 6S
O Lean Enterprise Institute observa que a Toyota tradicionalmente utiliza quatro Ss em alguns contextos, tratando a disciplina/sustentação por meio do próprio sistema de auditorias e trabalho padronizado. Em outras organizações, Shitsuke aparece como quinto S. Algumas empresas adicionam Safety como sexto S. Portanto, 4S, 5S e 6S são convenções de implantação; a essência é criar e manter uma condição visual, segura e estável.
Organização, disciplina, qualidade no processo e redução de desperdício ganham importância em ambientes de recursos limitados.
Práticas de organização visual, limpeza, fluxo e estabilidade passam a sustentar Just-in-Time, Jidoka e melhoria diária.
Autores como Takashi Osada e Hiroyuki Hirano sistematizam o 5S para públicos internacionais.
5S passa a ser aplicado em saúde, laboratórios, logística, escritórios, serviços e ambientes digitais.
Autores e Referências Conceituais
O 5S profissional ganha profundidade quando conectado a workplace organization, gestão visual, padronização, Kaizen e qualidade.
Como as referências se conectam
| Referência | Lente principal | Pergunta prática |
|---|---|---|
| Osada | Ambiente de qualidade | O local ajuda ou dificulta a qualidade? |
| Hirano | Cinco pilares | A organização física sustenta o fluxo? |
| Imai | Gemba + Kaizen | A condição básica permite melhorar? |
| Galsworth | Visualidade | O ambiente responde visualmente às perguntas do trabalho? |
| LEI | Lean + padrão | O 5S está revelando desperdícios e apoiando trabalho padronizado? |
A Arquitetura dos Cinco Sensos
Os cinco sensos não são cinco campanhas independentes. Eles formam uma sequência lógica que transforma o ambiente em um sistema de trabalho mais previsível.
Separar necessário e desnecessário.
Definir local, quantidade e acesso.
Remover sujeira e revelar fonte de anomalia.
Tornar a condição desejada repetível e visual.
Transformar disciplina em hábito de gestão.
O que muda quando o 5S amadurece
| 5S superficial | 5S maduro |
|---|---|
| Foco em aparência. | Foco em segurança, fluxo, estabilidade e visibilidade. |
| Auditoria procura poeira e etiqueta. | Auditoria verifica funcionalidade, padrão, anomalia e resultado. |
| Equipe “arruma” antes da visita. | Condição é mantida diariamente. |
| Demarcação sem propósito. | Visual comunica localização, limite, status ou risco. |
| Responsabilidade do “time 5S”. | Responsabilidade do dono do processo. |
Seiri — Separar, Eliminar e Decidir
Seiri remove do ambiente tudo que não contribui para o trabalho atual — ou define claramente o destino do que ainda precisa de decisão.
O problema que Seiri resolve
Excesso gera procura, ocupa espaço, esconde anomalias, aumenta inventário informal e cria ambiguidade. Em áreas industriais, ferramentas quebradas, peças sem uso, mangueiras, materiais vencidos, documentos antigos e equipamentos obsoletos tornam-se parte da paisagem e passam a ser tratados como “normais”.
Regra prática de decisão
| Item | Decisão | Destino |
|---|---|---|
| Usado diariamente | Necessário | No ponto de uso. |
| Usado semanal/mensalmente | Necessário, baixa frequência | Armazenamento próximo ou secundário. |
| Uso raro, mas obrigatório | Necessário por contingência/compliance | Local identificado, protegido e controlado. |
| Sem uso conhecido | Em dúvida | Red Tag / quarentena temporária. |
| Quebrado, vencido ou redundante | Desnecessário | Descarte, reparo, transferência ou obsolescência formal. |
O que Seiri não deve fazer
- Descartar item sem verificar requisitos regulatórios ou de manutenção.
- Eliminar estoque necessário sem compreender lead time e criticidade.
- Transferir a desorganização para outro almoxarifado.
- Confundir “raramente usado” com “desnecessário”.
Seiton — Ordenar para o Fluxo
Seiton responde: o que fica onde, em que quantidade, com que identificação e de que forma deve ser acessado?
A organização ideal não é necessariamente a mais bonita; é a que minimiza movimento, procura, risco e erro. Materiais de alta frequência devem estar próximos ao ponto de uso. Itens pesados devem respeitar ergonomia. Componentes semelhantes que podem ser confundidos devem ter diferenciação visual.
Princípios de posicionamento
Frequência
Quanto maior o uso, menor deve ser a distância e o esforço de acesso.
Sequência
Organizar segundo a ordem de execução pode reduzir movimento e erros.
Segurança
Peso, risco químico, altura, acesso e emergência limitam a “conveniência”.
Ferramentas visuais
Shadow boardEndereçamentoMin/MaxFIFODemarcaçãoFotos padrãoIdentificação por família
Seiso — Limpar para Inspecionar
Seiso não é limpeza cosmética. É usar a limpeza como oportunidade de inspeção, prevenção e detecção de anormalidades.
Uma superfície limpa revela vazamento. Um painel organizado revela fio solto. Uma máquina sem acúmulo permite identificar desgaste. Um laboratório limpo reduz risco de contaminação cruzada. O objetivo é migrar de “limpar sujeira” para “eliminar fonte de sujeira”.
Três níveis de Seiso
- Limpar: remover resíduos, pó, óleo, material e objetos.
- Inspecionar: procurar vazamento, folga, rachadura, desgaste, corrosão, ruído, temperatura, contaminação.
- Eliminar fonte: corrigir vedação, proteção, captação, rota, método ou condição que gera a sujeira.
Equipamento
Limpeza-inspeção pode ser integrada à manutenção autônoma e TPM.
Qualidade
Reduz materiais estranhos, mistura e contaminação quando alinhado a BPF e controles específicos.
Segurança
Vazamentos, obstáculos e condições inseguras ficam mais visíveis.
Seiketsu — Padronizar a Condição
Seiketsu transforma melhorias locais em uma condição repetível, compreensível e verificável.
Padronizar não significa encher o local de etiquetas
Um padrão visual deve responder uma pergunta útil. Linha no piso sem regra de uso, etiqueta sem owner e foto padrão desatualizada criam “poluição visual”.
| Elemento visual | Pergunta respondida |
|---|---|
| Contorno de ferramenta | Está faltando algo? |
| Faixa Min/Max | Quando repor? Há excesso? |
| Foto do padrão | Como deve ficar? |
| Cor/identificação de linha | Qual fluido, rota, status ou classe? |
| Quadro de anomalias | O que está fora do padrão e quem reage? |
Documentos e padrão no ponto de uso
Quando necessário, instruções devem estar disponíveis onde a decisão é tomada. Um procedimento escondido em rede pode estar formalmente “disponível” e operacionalmente ausente.
Shitsuke — Disciplina e Sustentação
O quinto S é onde muitos programas falham: a organização inicial desaparece porque o sistema não incorporou rotina, liderança e responsabilidade.
Shitsuke não deve ser entendido como “obedecer sem questionar”. Em um sistema Lean, disciplina significa cumprir o padrão atual e, quando houver uma forma melhor, melhorar o padrão formalmente.
Mecanismos de sustentação
- Dono definido para cada área.
- Rotina curta de verificação no início/fim do turno.
- Auditorias proporcionais à maturidade.
- Gestão visual de desvios.
- Plano de reação, não apenas nota.
- Revisão de padrões após mudança de layout/processo.
- Liderança no Gemba.
Safety: o “Sexto S” e suas Nuances
Algumas empresas usam 6S e adicionam Safety. Outras mantêm 5S e tratam segurança como princípio transversal a todos os sensos.
Não existe necessidade de transformar essa diferença em disputa metodológica. O critério é simples: segurança não pode ser tratada como opcional. Se “Safety” como sexto S aumenta visibilidade e disciplina, pode ser útil. Se a organização já integra segurança a Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu e Shitsuke, um sexto rótulo pode ser redundante.
| Senso | Exemplos de integração com segurança |
|---|---|
| Seiri | Eliminar obstáculos, químicos vencidos e dispositivos improvisados. |
| Seiton | Rotas livres, acesso a emergência, ergonomia, armazenamento por risco. |
| Seiso | Identificar vazamentos, desgaste e fontes de contaminação. |
| Seiketsu | Padronizar sinalização, inspeções e controles críticos. |
| Shitsuke | Sustentar comportamento seguro e reação a desvios. |
5S, Gestão Visual e Trabalho Padronizado
5S cria a base física e visual; trabalho padronizado define como executar; gestão visual mostra rapidamente se a condição real está de acordo com o esperado.
O Lean Enterprise Institute destaca que trabalho padronizado documenta o processo atual e serve como base para Kaizen. A organização visual reduz variabilidade, facilita treinamento e torna desvios perceptíveis.
Quatro níveis de visualidade
| Nível | Exemplo | Valor |
|---|---|---|
| Identificação | Nome, endereço, conteúdo. | Reduz procura. |
| Localização | Contorno, demarcação, posição. | Reduz movimento e ausência. |
| Status | OK/NOK, cheio/vazio, mínimo/máximo. | Torna condição visível. |
| Controle visual | Dispositivo que orienta ou impede erro. | Reduz dependência de interpretação. |
Red Tag: Tratar Excessos sem Perder Controle
Red Tag é uma ferramenta para itens cuja necessidade, propriedade ou destino ainda não está claro.
Informações mínimas de uma Red Tag
DescriçãoLocalMotivoResponsávelDataPrazo de decisãoDestino
Implantação do 5S Passo a Passo
Implantar 5S exige mais que um “dia D”. O evento inicial pode gerar energia, mas a cultura nasce da rotina posterior.
Fase 1 — Preparar
- Definir área-piloto com problema real.
- Selecionar sponsor e dono da área.
- Registrar baseline fotográfico e indicadores.
- Mapear riscos e requisitos regulatórios.
- Treinar o propósito — não apenas as traduções dos 5 Ss.
Fase 2 — Executar Seiri e Seiton
Remover excessos, classificar itens, redesenhar localização e reduzir deslocamento. O time deve medir antes/depois: tempo de procura, distância, área ocupada, quantidade de itens e risco.
Fase 3 — Seiso e eliminação de fontes
Limpar, inspecionar e registrar anomalias. Não mascarar vazamentos ou defeitos com limpeza repetitiva; abrir ações para eliminar fontes.
Fase 4 — Seiketsu
Definir fotos padrão, endereçamento, limites, rotinas de inspeção, frequência de limpeza e responsabilidade. Usar o mínimo de sinais necessário para tornar o trabalho claro.
Fase 5 — Shitsuke
Integrar 5S à gestão diária: liderança no Gemba, verificação curta, ação imediata para desvio, revisão periódica e auditoria por princípio.
Fase 6 — Replicar com aprendizagem
Replicar método e princípios, não copiar layouts. Cada área tem fluxo, risco, frequência e necessidades diferentes.
KPIs da implantação
| Dimensão | Exemplos |
|---|---|
| Espaço | m² liberados; posições eliminadas; ocupação. |
| Tempo | tempo de procura; tempo de abastecimento; tempo de setup. |
| Movimento | distância percorrida; passos; movimentações. |
| Segurança | obstruções; near misses; riscos corrigidos; ergonomia. |
| Qualidade | trocas, contaminação, itens vencidos, defeitos por organização. |
| Sustentação | aderência ao padrão; desvios reincidentes; ações vencidas. |
Auditorias, Scorecards e Maturidade
Auditar 5S deve gerar melhoria, não apenas uma nota. O risco de um checklist rígido é premiar aparência e punir adaptação inteligente.
Audite princípios, não só tarefas
| Pergunta fraca | Pergunta madura |
|---|---|
| “O chão está limpo?” | “A condição permite detectar vazamento ou anomalia rapidamente?” |
| “Há etiquetas?” | “A identificação reduz decisão, procura e risco de erro?” |
| “Tudo está demarcado?” | “A demarcação comunica uma regra útil e é respeitada?” |
| “A nota é acima de 90%?” | “Quais gaps impactam segurança, qualidade e fluxo?” |
Exemplo de scorecard de maturidade
Exemplo ilustrativo. Escala simulada de 1 a 5.
Escala sugerida
| Nível | Descrição |
|---|---|
| 1 — Reativo | Condição depende de mutirões e pessoas-chave. |
| 2 — Organizado | Primeiros três Ss visíveis, mas sustentação é irregular. |
| 3 — Padronizado | Regras claras, donos, rotina e auditoria. |
| 4 — Visual | Anomalias ficam evidentes e geram reação rápida. |
| 5 — Autogerido | Equipe melhora padrões continuamente e auditoria vira coaching. |
Aplicação Industrial: 5S do Gemba ao Resultado
Dados simulados para demonstrar como quantificar um projeto 5S em uma área de manutenção e setup.
Condição inicial
A oficina possuía peças sem identificação, ferramentas duplicadas, itens quebrados misturados aos utilizáveis, consumíveis sem mínimo/máximo e bancadas usadas como estoque temporário.
Aplicação dos cinco sensos
| Senso | Ação | Mecanismo esperado |
|---|---|---|
| Seiri | Red Tag em 118 itens; descarte/transferência de obsoletos. | Reduzir excesso e liberar espaço. |
| Seiton | Shadow boards, kits por equipamento, endereçamento e Min/Max. | Reduzir procura e movimento. |
| Seiso | Limpeza-inspeção de bancada e carrinhos. | Detectar falhas e fontes de sujeira. |
| Seiketsu | Foto padrão, mapa de localização, rotina de reposição. | Reduzir interpretação. |
| Shitsuke | Check diário de 5 min + auditoria quinzenal por princípio. | Sustentar e reagir. |
Resultado simulado após estabilização
Quantificação de produtividade
Suponha 22 intervenções por mês. A redução de 14 minutos por intervenção libera:
Esse resultado é um productivity gain. Para converter em saving financeiro, é preciso comprovar como as horas serão absorvidas: menor hora extra, mais intervenções, menor parada de produção ou redução de custo contratado.
Plano de controle
| Item | Controle | Frequência | Reação |
|---|---|---|---|
| Ferramentas críticas | Shadow board / ausência visível | Por turno | Localizar e tratar causa. |
| Consumíveis | Min/Max visual | Diária | Repor e revisar consumo. |
| Red Tag | Lista de itens e prazo | Semanal | Escalonar decisão vencida. |
| Condição geral | Auditoria por princípio | Quinzenal | A3 curto para reincidência. |
5S em Laboratórios, Logística e Escritórios
5S é aplicável a qualquer ambiente em que excesso, procura, informação ausente e falta de padrão gerem desperdício.
Laboratórios
- Endereçamento de reagentes por compatibilidade e frequência.
- Controle visual de validade e abertura.
- Separação de amostras aguardando análise, em análise e liberadas.
- Foto padrão de bancada e equipamentos.
- Rotina de limpeza-inspeção sem substituir requisitos de qualidade.
Logística e almoxarifado
- Endereçamento e gestão visual de ocupação.
- FIFO/FEFO conforme necessidade.
- Demarcação de rotas e zonas.
- Separação de estoque bloqueado, disponível e quarentena.
- Redução de movimentos e procura com slotting.
Escritórios
- Eliminar controles duplicados e versões antigas.
- Padronizar nomenclatura de arquivos e pastas.
- Organizar fluxos de aprovação e caixas compartilhadas.
- Reduzir “estoque” de e-mails, tarefas e documentos sem owner.
5S Digital e Indústria 4.0
O ambiente digital também acumula Muda: arquivos duplicados, dashboards redundantes, alarmes sem prioridade, tags inconsistentes e dados que ninguém usa.
Os cinco sensos no digital
| Senso | Aplicação digital |
|---|---|
| Seiri | Excluir relatórios obsoletos, fontes duplicadas, arquivos temporários e acessos sem uso. |
| Seiton | Nomenclatura, estrutura de pastas, taxonomia, catálogo de dados, ownership. |
| Seiso | Identificar links quebrados, erros, dados inconsistentes, alarmes espúrios. |
| Seiketsu | Padrões de dashboard, versão, governança e definição de KPI. |
| Shitsuke | Rotina de revisão, arquivamento, ownership e auditoria de acesso. |
5S aplicado a Power BI / MES
Um dashboard com 60 indicadores sem hierarquia pode ser tão desorganizado quanto uma bancada cheia de ferramentas. Aplique Seiri para remover o que não orienta decisão, Seiton para estruturar hierarquia, Seiketsu para padronizar definições e Shitsuke para manter governança.
Estudos de Caso Documentados
Os casos abaixo são baseados em fontes públicas e ajudam a observar mecanismos transferíveis sem tratar benchmark como receita.
Caso 1 — U.S. Naval Ship Repair Facility, Japão
Um caso publicado pela ASQ descreve o uso de Lean 5S em uma oficina de reparo naval em Sasebo. Entre os resultados relatados, o tempo gasto procurando peças foi reduzido em 80%. A reorganização do inventário e dos materiais tornou o trabalho mais eficiente e contribuiu para segurança e controle.
Lição
O ganho não veio de “limpar”. Veio de reduzir a incerteza sobre localização e disponibilidade de materiais — exatamente o mecanismo de Seiri + Seiton + visual management.
Caso 2 — 5S em hospitais na Tanzânia
A JICA relata que iniciativas 5S em hospitais da Tanzânia melhoraram a limpeza percebida, o ambiente de trabalho e a satisfação, além de contribuírem para redução do tempo de espera. Em desdobramentos do programa 5S-KAIZEN-TQM, foram reportadas reduções de 43% em espera de pacientes, 63% em amostras laboratoriais rejeitadas e outros ganhos de qualidade; esses resultados já envolvem Kaizen além do 5S isoladamente.
Lição
5S pode ser a primeira camada de mudança: cria ambiente, visualidade e ownership; depois, problemas de fluxo e qualidade podem ser tratados com Kaizen estruturado.
Caso 3 — Hospital Japonês Santa Cruz, Brasil
A JICA documentou a aplicação de princípios 5S-Kaizen no Hospital Japonês Santa Cruz, em São Paulo, inclusive no contexto de prevenção de infecções durante a pandemia. A organização visual e materiais de orientação com ícones foram usados para facilitar compreensão e padronização das práticas.
Lição
Em ambientes críticos, visualidade reduz ambiguidade e apoia comportamentos consistentes — desde que alinhada aos protocolos técnicos de saúde.
Caso 4 — Mineração no Canadá
A ASQ publicou um caso de uma operação de mineração de potássio em Saskatchewan usando um 5S Blitz e scorecards para organização, segurança, produtividade e eficiência. O caso reforça a necessidade de sustentar o sistema após o evento inicial.
Por que Programas 5S Fracassam
O fracasso raramente ocorre porque as pessoas “não gostam de organização”. Em geral, o sistema foi desenhado como campanha, auditoria estética ou responsabilidade paralela.
| Falha | Consequência | Contramedida |
|---|---|---|
| “Dia D” sem rotina | Retorno ao estado anterior. | Integrar ao trabalho diário. |
| Nota como objetivo | Maquiagem antes da auditoria. | Auditar impacto e princípio. |
| Excesso de demarcações | Poluição visual. | Visual só quando responde pergunta útil. |
| 5S imposto por staff | Baixo ownership. | Operação define localização e padrão com critérios. |
| Sem medir resultado | Programa perde credibilidade. | Relacionar a tempo, movimento, segurança e qualidade. |
| Auditoria punitiva | Problemas são escondidos. | Auditoria como coaching e melhoria. |
| Red Tag sem decisão | Cria depósito de desperdício. | Owner e prazo obrigatório. |
Liderança, Cultura e Sustentação
5S é uma das ferramentas mais simples de ensinar e uma das mais difíceis de sustentar, porque expõe hábitos de gestão.
O papel da liderança
- Definir propósito e critérios claros.
- Participar do Gemba sem transformar auditoria em fiscalização teatral.
- Remover barreiras para descarte, manutenção, compras e layout.
- Não aceitar “falta de espaço” sem investigar excesso e fluxo.
- Reconhecer melhorias que facilitam o trabalho.
- Exigir reação a desvios reincidentes.
Ownership
Gwendolyn Galsworth alerta que 5S perde força quando vira instrumento de conformidade externo. A maturidade aumenta quando as pessoas que executam o trabalho desenham e aperfeiçoam o ambiente visual necessário para seu próprio desempenho.
Mapa Mental Executivo do 5S
Uma visão única para revisar o sistema: propósito, cinco sensos, conexões e resultados.
Mensagens-chave do Autor
Sínteses editoriais da JB Process & Tech para aplicação prática. Não são citações atribuídas aos autores clássicos.
Termos Essenciais
Separar necessário e desnecessário; eliminar excessos.
Ordenar o necessário segundo fluxo, frequência e segurança.
Limpar, inspecionar e eliminar fontes de sujeira/anomalia.
Padronizar e tornar a condição desejada visual e repetível.
Disciplina, hábito e sustentação do sistema.
Identificação temporária de item em dúvida para decisão controlada.
Sistema visual que torna padrão, status e anomalia compreensíveis rapidamente.
Painel de ferramentas com posição/contorno visual definido.
Limites visuais de reposição e excesso.
First In, First Out; regra de fluxo conforme ordem de entrada.
First Expire, First Out; prioriza menor validade.
Lugar real onde o trabalho acontece.
Bibliografia e Fontes de Aprofundamento
Obras fundamentais
- OSADA, Takashi. The 5S's: Five Keys to a Total Quality Environment. Asian Productivity Organization, 1991.
- HIRANO, Hiroyuki. 5 Pillars of the Visual Workplace: The Sourcebook for 5S Implementation. Productivity Press.
- IMAI, Masaaki. Gemba Kaizen. McGraw-Hill.
- GALSWORTH, Gwendolyn. Visual Workplace, Visual Thinking. Productivity Press.
Fontes institucionais
- American Society for Quality (ASQ). Five S Tutorial — definição, objetivos e aplicações. ASQ — Five S.
- Lean Enterprise Institute. 5S — definição, propósito e nuance 4S/5S/6S. LEI — 5S.
- Lean Enterprise Institute. Standardized Work — relação entre padrão, visual management e Kaizen. LEI — Standardized Work.
- JICA. 5S-KAIZEN-TQM — materiais e aplicações em saúde. JICA — Case Studies.
- Visual Thinking / Gwendolyn Galsworth. Visual Workplace — conceitos de visualidade e informação no ponto de uso. Visual Workplace.
Estudos de caso documentados
- ASQ. Piecing Things Together: Better Materials Organization Improves Ship Repair Service. Caso de U.S. Naval Ship Repair Facility, com redução de 80% no tempo de procura por peças. Fonte.
- ASQ. Dig Deeper. Caso de 5S Blitz em mineração no Canadá. Fonte.
- JICA. Achievements — 5S-KAIZEN-TQM em hospitais da Tanzânia. Fonte.
- JICA Brasil. Aplicação de 5S-Kaizen no Hospital Japonês Santa Cruz. Fonte.