O que este e-book representa
Excelência Operacional não nasce de uma única ferramenta. Ela surge quando organização do ambiente, engenharia de métodos, manutenção, fluxo, qualidade e criação de valor são gerenciados como partes de um mesmo sistema.
Objetivo do tema: Mostrar como TQM, TPM, JIT, Lean, PM, IE, VE e 5S podem ser compreendidos separadamente e, principalmente, integrados em uma arquitetura coerente de gestão e melhoria.
A imagem que motivou este volume apresenta uma pirâmide com 5S na base, IE/PM/VE em uma camada intermediária, JIT/Lean/TPM acima e TQM no topo. Essa representação é útil didaticamente, porém não é uma hierarquia universal ou um modelo normativo reconhecido por uma única instituição. Neste e-book ela será reinterpretada como uma arquitetura de aprendizagem e integração.
Como ler a arquitetura
5S cria condição básica e visualidade. IE melhora métodos e sistemas. PM reduz falhas por meio de manutenção preventiva. VE melhora relação função–recursos. JIT sincroniza produção e consumo. Lean integra valor, fluxo e eliminação de desperdícios. TPM amplia confiabilidade com participação de toda a organização. TQM conecta qualidade, cliente, pessoas, processos e estratégia.
Arquitetura do conhecimento
A Arquitetura Integrada de Excelência Operacional
Os oito elementos deste e-book não competem entre si. Eles resolvem dimensões diferentes do sistema operacional: ambiente, método, ativos, valor, sincronização, fluxo, confiabilidade e qualidade organizacional.
Objetivo do tema: Construir uma visão sistêmica que permita entender onde cada abordagem atua, o que ela não resolve sozinha e como utilizá-la em conjunto com as demais.
Quatro níveis de construção
5S estabiliza o ambiente e torna o anormal visível.
IE, PM e VE estruturam método, ativos e valor funcional.
JIT, Lean e TPM criam fluxo e confiabilidade.
TQM conecta cliente, qualidade, processos e cultura.
Raízes Históricas e Autores de Referência
As práticas reunidas neste e-book nasceram em momentos diferentes da evolução industrial. Industrial Engineering antecede o Lean; Value Engineering surgiu em outro contexto; TPM evoluiu da manutenção produtiva; TQM integrou diferentes escolas da qualidade.
Objetivo do tema: Mostrar a origem e a contribuição dos principais autores sem criar a falsa impressão de que todas as metodologias nasceram juntas ou pertencem à mesma escola.
5S — Estabilidade, Visualidade e Disciplina
5S organiza o ambiente para que o trabalho correto seja mais simples e as anomalias se tornem visíveis. Ele vai além de limpeza: atua sobre excesso, localização, inspeção, padronização e disciplina.
Objetivo do tema: Mostrar como usar 5S como base operacional para segurança, fluxo, qualidade, manutenção e gestão visual, evitando reduzi-lo a uma campanha estética.
Os cinco sensos
| Senso | Função | Pergunta prática |
|---|---|---|
| Seiri | Separar necessário e desnecessário. | Precisamos realmente deste item aqui? |
| Seiton | Definir local, quantidade e acesso. | O item certo é encontrado rapidamente? |
| Seiso | Limpar para inspecionar. | A limpeza revela vazamentos, desgaste e falhas? |
| Seiketsu | Padronizar a condição. | O normal está visualmente definido? |
| Shitsuke | Sustentar e melhorar. | A condição permanece sem “mutirão”? |
Como aplicar
- Escolher uma área com problema real.
- Registrar condição atual e indicadores.
- Executar Red Tag e Seiri.
- Redesenhar posições com base em frequência, fluxo e ergonomia.
- Limpar inspecionando causas de sujeira.
- Criar padrões visuais simples.
- Definir owner, rotina e auditoria por princípio.
KPIs
tempo de procuram² liberadosdistância percorridaitens obsoletosanomalias detectadasaderência ao padrão
IE — Industrial Engineering
Industrial Engineering projeta, melhora e integra sistemas de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia. Seu foco não é uma máquina isolada, mas o desempenho do sistema de trabalho.
Objetivo do tema: Mostrar como a Engenharia Industrial utiliza métodos, tempos, layout, ergonomia, capacidade, simulação e otimização para melhorar produtividade, segurança, custo e fluxo.
O IISE define Industrial and Systems Engineering como o campo dedicado ao projeto, melhoria e instalação de sistemas integrados de pessoas, materiais, informação, equipamentos e energia.
Principais campos de aplicação
Eliminar movimentos, balancear trabalho e definir capacidade.
Reduzir transporte, distância e cruzamentos.
Projetar o trabalho para reduzir esforço e risco.
Dimensionar recursos e analisar gargalos.
Otimizar decisões com modelos matemáticos.
Testar cenários sem interferir no sistema real.
Como aplicar um estudo de método
Ferramentas
Spaghetti DiagramTime StudyMOST/MTMLine BalancingSimulationCapacity AnalysisErgonomics
Indicadores
Produtividade por hora, distância por unidade, utilização, cycle time, balance loss, capacidade/hora, horas-homem por tonelada, lead time e custo operacional.
PM — Preventive Maintenance
Manutenção Preventiva é a execução programada de atividades destinadas a detectar, evitar ou reduzir degradação antes que a falha funcional ocorra. Ela pode ser baseada em tempo, uso ou ciclos de operação.
Objetivo do tema: Ensinar como estruturar um programa preventivo baseado em criticidade, modos de falha e histórico, equilibrando risco de quebra e risco de excesso de manutenção.
Preventiva não significa “manter tudo em calendário”
O NIST descreve manutenção preventiva como ações executadas em programação baseada em tempo ou tempo de máquina com o objetivo de detectar, evitar ou mitigar degradação. O intervalo deve evoluir com a experiência real do ativo.
Estratégias de manutenção
| Estratégia | Gatilho | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| Corretiva | Após falha | Ativos simples, baratos e não críticos. |
| Preventiva | Tempo/uso | Falhas relacionadas à idade ou exigência do fabricante. |
| Baseada em condição | Indicador de condição | Falha detectável por vibração, temperatura, óleo etc. |
| Preditiva | Modelo de prognóstico | Ativos críticos com dados e lead time para intervenção. |
Como construir um plano PM
- Classificar criticidade do ativo.
- Listar funções e modos de falha relevantes.
- Revisar recomendações OEM e histórico.
- Selecionar tarefas tecnicamente eficazes.
- Definir frequência por tempo/uso.
- Planejar recursos, sobressalentes e duração.
- Monitorar descoberta de defeitos, falhas e custo.
- Ajustar intervalos com base em evidência.
KPIs
MTBFMTTR% Preventiva% EmergencialSchedule ComplianceBacklogMaintenance Cost
VE — Value Engineering
Value Engineering melhora o valor de produtos, processos e projetos por meio da análise de funções. A pergunta central não é apenas “como reduzir custo?”, mas “qual função precisa ser entregue e quais recursos são realmente necessários para entregá-la?”.
Objetivo do tema: Ensinar como avaliar função, desempenho e custo de ciclo de vida para encontrar soluções que preservem ou aumentem valor sem degradar qualidade, segurança ou requisitos do cliente.
SAVE International define Value Methodology como um processo sistemático e multidisciplinar para melhorar valor por meio da análise de funções.
Origem
Lawrence D. Miles desenvolveu a abordagem na General Electric no contexto de escassez de materiais, observando que substituições obrigatórias às vezes mantinham ou melhoravam a função com menor custo.
Função: verbo + substantivo
Exemplos: transferir calor, conter fluido, proteger operador, misturar produto. Essa linguagem evita apego prematuro à solução atual.
Job Plan
Como analisar
| Situação | Decisão de valor |
|---|---|
| Mesma função, menor custo | Valor aumenta. |
| Maior função, mesmo custo | Valor aumenta. |
| Função aumenta mais que custo | Pode haver aumento de valor. |
| Custo cai degradando função crítica | Não é VE bem executado. |
JIT — Just-in-Time
Just-in-Time é o princípio de produzir e movimentar somente o necessário, no momento necessário e na quantidade necessária, reduzindo tempo de atravessamento e estoques que escondem problemas.
Objetivo do tema: Mostrar como sincronizar produção e consumo por meio de takt, fluxo, pull, Kanban, supermercados e redução de lotes, sem comprometer estabilidade ou atendimento.
A Toyota descreve JIT como a redução do tempo entre o pedido e a entrega, minimizando geração e manutenção de estoques e garantindo que peças necessárias cheguem no timing e ordem corretos.
Elementos fundamentais
Ritmo requerido pela demanda.
Reduzir espera entre etapas.
Repor após consumo real.
Autorizar produção/movimentação.
Desacoplar processos de forma controlada.
Nivelar volume e mix.
Pré-requisitos
- Qualidade relativamente estável.
- Equipamentos confiáveis.
- Lead time conhecido.
- Setup compatível com lotes menores.
- Fornecedor e logística confiáveis.
- Dados de consumo confiáveis.
KPIs
Lead time, WIP, inventory turns, OTIF, adherence to takt, stockouts, pitch, tempo de reposição e nível de serviço.
Lean — Valor, Fluxo e Eliminação de Desperdícios
Lean é uma filosofia e sistema de gestão orientado a entregar mais valor ao cliente com menos desperdício, menor lead time e maior capacidade de aprender. JIT é uma parte importante dessa arquitetura, mas Lean é mais amplo.
Objetivo do tema: Apresentar os princípios Lean e mostrar como valor, fluxo de valor, fluxo, pull e melhoria contínua se conectam a 5S, IE, JIT, TPM e TQM.
Os cinco princípios
Os 3 Ms
| Conceito | Significado | Exemplo |
|---|---|---|
| Muda | Desperdício. | Espera, transporte, defeito, estoque. |
| Mura | Desnivelamento. | Picos de carga e mix irregular. |
| Muri | Sobrecarga. | Equipamento ou pessoa acima da capacidade sustentável. |
Lean não é somente redução de custo
Lean busca um sistema mais rápido, previsível e capaz de aprender. Cortar recursos sem redesenhar fluxo pode elevar Muri e deteriorar segurança, qualidade e entrega.
KPIs
Lead time, WIP, FPY, takt adherence, setup, produtividade, OTIF, estoque, throughput e cost/unit.
TPM — Total Productive Maintenance
TPM é um sistema de manutenção produtiva de participação ampla que busca eliminar perdas do sistema produtivo, prevenindo falhas, defeitos, acidentes e desperdícios associados aos ativos.
Objetivo do tema: Mostrar como TPM amplia a manutenção além do departamento técnico, desenvolvendo operadores, mantenedores e engenharia para elevar confiabilidade, OEE e eficiência global.
O JIPM descreve TPM como um sistema que busca zero perdas na produção e envolve todos os departamentos e níveis organizacionais. O conceito foi proposto pelo JIPM em 1971.
TPM não é “operador virar mecânico”
Autonomous Maintenance transfere ao operador atividades de condição básica e detecção precoce — limpeza, inspeção, lubrificação simples e identificação de anomalias — enquanto manutenção especializada permanece responsável por intervenções técnicas complexas.
Oito pilares amplamente utilizados
| Pilar | Propósito |
|---|---|
| Focused Improvement | Eliminar perdas crônicas por pequenos grupos. |
| Autonomous Maintenance | Desenvolver ownership e condição básica. |
| Planned Maintenance | Planejar estratégias e reduzir falhas. |
| Quality Maintenance | Prevenir defeitos relacionados às condições do equipamento. |
| Early Equipment Management | Incorporar manutenibilidade e confiabilidade desde o projeto. |
| Education & Training | Desenvolver competências. |
| Office TPM | Reduzir perdas administrativas que afetam o sistema. |
| Safety, Health & Environment | Eliminar riscos e perdas relacionadas a pessoas/ambiente. |
OEE
OEE é um indicador de perdas do ativo. Deve ser analisado por árvore de perdas, e não apenas como percentual agregado.
KPIs
OEE, MTBF, MTTR, breakdown hours, planned maintenance compliance, autonomous maintenance compliance, microstops, quality losses e maintenance cost.
TQM — Total Quality Management
Total Quality Management é uma abordagem de gestão orientada ao sucesso de longo prazo por meio da satisfação do cliente, participação das pessoas e melhoria contínua de processos, produtos, serviços e cultura.
Objetivo do tema: Mostrar como qualidade deixa de ser responsabilidade exclusiva da inspeção e passa a ser integrada à estratégia, liderança, processos, fornecedores, dados e comportamento organizacional.
A ASQ descreve TQM como um sistema de gestão para uma organização focada no cliente, com participação de todos os empregados na melhoria contínua e integração de estratégia, dados e comunicação.
Princípios essenciais
Qualidade começa pela necessidade.
Qualidade pertence a todos.
Resultados são produzidos por sistemas.
Áreas trabalham para objetivos comuns.
PDCA, Kaizen e aprendizado.
Dados sustentam prioridade e ação.
Autores e contribuições
| Autor | Contribuição relacionada |
|---|---|
| Deming | Sistema, variação, liderança e aprendizagem. |
| Juran | Planejamento, controle e melhoria da qualidade. |
| Feigenbaum | Total Quality Control e visão interfuncional. |
| Ishikawa | Círculos de qualidade, causa-e-efeito e participação ampla. |
| Crosby | Conformidade com requisitos e custo da não qualidade. |
KPIs
Customer complaints, NPS/CSAT quando aplicável, FPY, COPQ, reclamações, devoluções, auditorias, capacidade, supplier quality, warranty, retrabalho e qualidade de processo.
Como os Oito Elementos se Conectam
A maior força desta arquitetura está na complementaridade. Cada abordagem resolve uma parte do sistema, e os melhores resultados aparecem quando os mecanismos são conectados.
Objetivo do tema: Mostrar as dependências entre 5S, IE, PM, VE, JIT, Lean, TPM e TQM e ajudar o leitor a evitar implantações isoladas que geram melhorias locais sem desempenho sistêmico.
| Elemento | Constrói | Depende especialmente de | Potencializa |
|---|---|---|---|
| 5S | condição visual básica | liderança e padrão | PM, TPM, Lean |
| IE | método e sistema eficiente | dados e observação | Lean, JIT, VE |
| PM | prevenção de falha | criticidade e histórico | JIT, TPM |
| VE | relação função/recursos | função clara | IE, Lean, CAPEX |
| JIT | sincronização | estabilidade e confiabilidade | Lean |
| Lean | fluxo e valor | 5S, qualidade, confiabilidade | TQM, JIT, TPM |
| TPM | eficiência dos ativos | 5S, PM, pessoas | JIT, Lean |
| TQM | qualidade organizacional | liderança, dados, participação | todo o sistema |
Exemplo de cadeia causal
KPIs e Árvore de Desempenho
Indicadores devem traduzir mecanismos. Um único KPI não explica o sistema; por isso, excelência operacional exige distinguir resultado final de direcionadores que mostram onde agir.
Objetivo do tema: Organizar indicadores por Segurança, Qualidade, Entrega, Custo, Pessoas, Ativos e Fluxo, conectando cada metodologia aos resultados que ela influencia.
incidentes, near misses, condições inseguras, ergonomia.
FPY, scrap, COPQ, reclamações, PPM.
OTIF, adherence to schedule, lead time.
R$/t, energia/t, manutenção, material, logística.
OEE, MTBF, MTTR, breakdown loss.
WIP, takt adherence, setup, inventory turns.
skills, treinamento, Kaizen e sugestões.
function/cost, saving, cost avoidance.
anomalias, aderência, procura e ações.
Indicadores de resultado x direcionadores
| Resultado | Direcionadores |
|---|---|
| OTIF | lead time, disponibilidade, setup, WIP, aderência ao plano. |
| Custo/t | yield, energia específica, horas, manutenção, perdas. |
| OEE | quebras, microparadas, velocidade, defeitos. |
| Qualidade do cliente | FPY, capacidade, condições do equipamento, padrão. |
Qual Abordagem Usar para Cada Problema?
Um erro frequente em melhoria contínua é escolher a ferramenta favorita antes de compreender o problema. A metodologia deve ser selecionada pelo mecanismo dominante da perda.
Objetivo do tema: Oferecer uma matriz prática para escolher 5S, IE, PM, VE, JIT, Lean, TPM ou TQM conforme a natureza do desafio.
| Problema dominante | Primeira abordagem | Complementos |
|---|---|---|
| Procura, excesso, desorganização | 5S | IE / gestão visual. |
| Método lento e muito movimento | IE | Lean / 5S. |
| Falhas previsíveis por desgaste | PM | TPM / condição. |
| Alto custo de projeto sem perda funcional permitida | VE | IE / TQM. |
| Estoque alto e produção empurrada | JIT | Lean / SMED / TPM. |
| Lead time alto e desperdícios sistêmicos | Lean | JIT / IE. |
| Baixa disponibilidade e perdas de equipamento | TPM | PM / 5S. |
| Qualidade tratada apenas pelo CQ | TQM | Lean / problem solving. |
Roadmap de Implantação
Implantar todas as metodologias ao mesmo tempo tende a gerar fadiga, burocracia e baixa profundidade. Uma jornada coerente constrói capacidades em sequência, priorizando gaps reais do negócio.
Objetivo do tema: Propor um roadmap prático de implementação que preserve lógica sistêmica sem transformar a organização em um catálogo de programas paralelos.
Mapear gaps de SQDCP, maturidade, fluxo e ativos.
5S, gestão visual e padrões essenciais.
IE para métodos, layout, ergonomia e capacidade.
PM por criticidade e desenvolvimento TPM.
VE em CAPEX, produto e processos de alto custo.
Lean, SMED, balanceamento e redução de lotes.
JIT, pull, Kanban e nivelamento.
TQM, VOC, fornecedores, QMS e melhoria contínua.
MES, IoT, analytics e IA nos mecanismos já estabilizados.
Governança, Liderança e Cultura
Ferramentas melhoram processos apenas quando responsabilidades, decisões e comportamentos sustentam a mudança. A arquitetura integrada exige liderança de sistema, não departamentos defendendo seus próprios indicadores.
Objetivo do tema: Mostrar como estruturar papéis, rotinas e decisões para que qualidade, manutenção, engenharia, produção e melhoria trabalhem sobre objetivos comuns.
| Nível | Responsabilidade |
|---|---|
| Diretoria | Prioridades, metas sistêmicas, recursos e trade-offs. |
| Gerência | Value streams, portfólio e remoção de barreiras. |
| Coordenação/Supervisão | Gestão diária, padrões e desenvolvimento de equipe. |
| Engenharia/Qualidade/Manutenção | Método, análise, confiabilidade e suporte técnico. |
| Operação | Execução, detecção de anomalias e Kaizen. |
Aplicação Industrial: da Instabilidade à Excelência
Este estudo de caso simulado mostra como diferentes métodos se conectam em uma mesma transformação, evitando o uso isolado de ferramentas.
Objetivo do tema: Demonstrar a sequência lógica de diagnóstico, estabilização, engenharia, confiabilidade, fluxo e qualidade em um processo industrial.
Dados simulados.
Diagnóstico
A área apresenta excesso de materiais, layout funcional com longas movimentações, falhas recorrentes, altos lotes para “compensar setup”, baixa participação da operação em manutenção e reclamações de variação de qualidade.
Aplicação por camada
| Método | Ação | Mecanismo esperado |
|---|---|---|
| 5S | Red Tag, pontos de uso, inspeção visual. | Menos procura e anomalias visíveis. |
| IE | Spaghetti + layout + balanceamento. | Menos transporte e menor cycle time. |
| PM | Revisão de planos por criticidade. | Menos falhas previsíveis. |
| TPM | Autonomous Maintenance + focused improvement. | Maior disponibilidade e ownership. |
| VE | Redesign de dispositivo caro e difícil de manter. | Menor lifecycle cost. |
| Lean | VSM, SMED, fluxo e células. | Menor lead time e WIP. |
| JIT | Supermercado e Kanban. | Produção sincronizada. |
| TQM | CTQs, fornecedores e rotina. | Qualidade integrada. |
Estado futuro simulado
Interpretação
O ganho não pode ser atribuído a uma ferramenta isolada. 5S revelou problemas; IE reduziu movimento; PM/TPM aumentaram estabilidade; SMED/Lean permitiram reduzir lotes; JIT sincronizou; TQM garantiu foco em CTQ e sustentação.
Indústria 4.0 e Transformação Digital
Tecnologia pode aumentar capacidade de detecção, previsão e decisão, mas não substitui fundamentos de processo. Digitalizar um sistema instável normalmente apenas aumenta a velocidade do desperdício.
Objetivo do tema: Conectar cada abordagem a tecnologias digitais que potencializam o método sem perder os princípios de simplificação, estabilidade e valor.
| Método | Tecnologias habilitadoras |
|---|---|
| 5S | QR codes, auditoria mobile, visão computacional. |
| IE | simulação, digital twin, process mining, ergonomia digital. |
| PM | CMMS/EAM, sensores, condition monitoring. |
| VE | PLM, cost analytics, simulação de funções. |
| JIT | e-Kanban, MES, RFID, integração fornecedor. |
| Lean | Power BI, process mining, MES, analytics. |
| TPM | OEE online, predictive maintenance, IoT. |
| TQM | QMS digital, SPC online, VOC analytics, IA. |
Casos Documentados
Casos reais ajudam a demonstrar que os mecanismos discutidos neste e-book podem produzir resultados relevantes quando aplicados com disciplina e contexto.
Objetivo do tema: Apresentar resultados documentados de 5S, Lean e TPM e extrair aprendizados transferíveis sem tratar benchmarks como metas universais.
TPM — L&P / CONNSTEP
Um caso do NIST MEP relatou que a implementação de TPM em um torno CNC crítico reduziu downtime e aumentou produtividade em aproximadamente 22%. O OEE subiu de 39% para 45% e foram evitados investimentos de US$ 250 mil.
5S e fluxo — Hideaway Solutions
Outro caso do NIST MEP documentou uma transformação com 5S e fluxo unitário na qual o tempo para disponibilizar uma unidade para expedição caiu de 2 dias para cerca de 20 minutos, além de savings e retenção de vendas.
5S e Visual Control — reorganização de facility
Um projeto de reorganização de armazém documentou US$ 30.984 em savings por redução de movimentação e tempo de procura, complementado por caminhadas mensais de sustentabilidade.
Lean — redução de transporte
Um caso publicado pelo NIST MEP reportou US$ 111 mil em economia anual e redução de 90% no transporte interno após treinamentos Lean, 5S+ e eventos Kaizen.
Erros e Anti-padrões
Programas de excelência operacional perdem força quando ferramentas são implantadas por moda, auditoria ou meta isolada, sem conexão com o mecanismo do problema.
Objetivo do tema: Identificar os principais anti-padrões e mostrar como preservar a lógica sistêmica da transformação.
| Anti-padrão | Consequência | Correção |
|---|---|---|
| 5S = limpeza | Ambiente bonito, desperdício intacto. | Usar fluxo e visualidade como critérios. |
| IE = cortar mão de obra | Resistência e sobrecarga. | Redesenhar sistema e produtividade. |
| PM em todo ativo | Over-maintenance e custo. | Criticidade e modo de falha. |
| VE = redução de custo | Função degradada. | Analisar função e ciclo de vida. |
| JIT = estoque zero | Faltas e urgência. | Reduzir instabilidade primeiro. |
| Lean = ferramenta | Kaizens locais sem fluxo sistêmico. | Gerir value stream. |
| TPM = manutenção autônoma apenas | Programa incompleto. | Atuar sobre perdas e pilares. |
| TQM = responsabilidade da qualidade | Qualidade continua departamental. | Integrar liderança e processos. |
Maturidade do Sistema Integrado
A maturidade de excelência operacional não deve ser medida pela quantidade de ferramentas instaladas, e sim pela capacidade de o sistema produzir resultados previsíveis e melhorar continuamente.
Objetivo do tema: Oferecer uma escala prática para avaliar a evolução da organização desde iniciativas isoladas até um sistema integrado de gestão.
| Nível | Características |
|---|---|
| 1 — Reativo | Problemas tratados por urgência; ferramentas pontuais. |
| 2 — Organizado | 5S, PM e indicadores básicos implantados. |
| 3 — Estável | Padrões, confiabilidade e métodos estruturados. |
| 4 — Integrado | Lean, JIT, TPM, VE e TQM conectados a value streams. |
| 5 — Adaptativo | Gestão aprende continuamente e usa dados/tecnologia para antecipar perdas. |
Exemplo ilustrativo, escala de 1 a 5.
Mapa Mental Executivo
O mapa mental consolida a arquitetura em uma única visão, facilitando a revisão e a comunicação entre operação, engenharia, manutenção, qualidade e liderança.
Objetivo do tema: Mostrar como os oito elementos convergem para segurança, qualidade, entrega, custo, confiabilidade e desenvolvimento de pessoas.
Mensagens-chave do Autor
Glossário
Sistema de organização, visualidade, limpeza-inspeção, padronização e disciplina.
Industrial Engineering.
Preventive Maintenance neste e-book.
Value Engineering.
Just-in-Time.
Sistema orientado a valor, fluxo e eliminação de desperdícios.
Total Productive Maintenance.
Total Quality Management.
Disponibilidade × Performance × Qualidade.
Tempo médio entre falhas.
Tempo médio para reparo/restauração.
Sinal de autorização de reposição/produção.
Nivelamento de mix e volume.
Voice of the Customer.
Referências e Fontes de Aprofundamento
TQM e Qualidade
- ASQ. Total Quality Management (TQM). Fonte.
- DEMING, W. Edwards. Out of the Crisis.
- JURAN, Joseph M. obras sobre planejamento, controle e melhoria.
- FEIGENBAUM, Armand V. Total Quality Control.
TPM e Manutenção
- JIPM. TPM — conceito, participação total e zero perdas. Fonte.
- JIPM. Materiais sobre os oito pilares e perdas do TPM. Fonte.
- NIST. Maintenance Strategies. Fonte.
Lean, JIT e 5S
- Toyota Motor Corporation. Toyota Production System / Just-in-Time. Fonte.
- Lean Enterprise Institute. Lean Thinking and Practice. Fonte.
- Lean Enterprise Institute. 5S. Fonte.
- OHNO, Taiichi. Toyota Production System.
- WOMACK, James P.; JONES, Daniel T. Lean Thinking.
Industrial Engineering
- IISE. Industrial and Systems Engineering Body of Knowledge. Fonte.
Value Engineering
- SAVE International. About the Value Methodology. Fonte.
- SAVE International. Value Methodology Glossary. Fonte.
Casos documentados
- NIST MEP. Total Productive Maintenance Reduces Equipment Downtime and Lost Capacity. Fonte.
- NIST MEP. Lean Is a Game-Changer, Shortening Furniture Production Time From Days to Hours. Fonte.
- NIST MEP. Facility Reorganization Increases Cost Savings. Fonte.
- NIST MEP. Lean Training Results in Cost Savings. Fonte.